Imaginem a cena:
Um garotinho vai a missa, e depois que ela acaba começa a fazer perguntas ao padre. Vamos ver se ele consegue responde-las.
- Padre?
Perguntou o garotinho.
- Diga, meu filho.
- Eu vi o sermão de hoje e... Tava querendo saber...
O garoto parecia inseguro.
- Fale filho, não sinta vergonha
Disse o padre, sorrindo.
- Por que eu devo adorar a deus?
A pergunta fez o padre engasgar, pensou por um tempo, não imaginava que seria algo tão direto assim.
- Ora, filho. Deus criou todas as coisas, ele é o criador, tudo que você tem você deve a ele. Sem ele não haveria vida.
- Ta, mas eu nunca vi ele, nem sei se ele existe mesmo, mamãe falou pra eu não acreditar em estranhos, não sei se posso ficar vindo rezar pra ele todo o domingo, sendo que nem sei se ele realmente existe, padre.
- Filho, você está tratando deus como uma pessoa comum! Ele não é! Ele é o todo poderoso, o que te deu a vida, ele está em você, está em mim, está em toda parte!
- Toda parte?
- Sim, filho.
- Então por que eu tenho que vir na igreja pra rezar?
- Ah... Er...
- Mas afinal, o que acontece se eu não adorar ele?
- Você irá para o inferno.
Respondeu o padre, com uma voz severa, impaciente.
- Mas por que?! – perguntou o menino, apavorado.
- Pois você não acredita no criador.
- Mas e se... E se eu doar todo meu dinheiro aos pobres?
- Se não acreditares no salvador, não serás salvo.
- E se eu... Ajuda milhares de pessoas?
- Se não acreditares no salvador, não serás salvo.
- E se... E se eu der a minha vida em troca da de milhões de pessoas? Pô, padre, não existe ato mais nobre do que esse!
- Se não acreditares no salvador... Garoto, por que é tão difícil pra você acreditar nele? Gastar 1 hora do seu domingo agradecendo a ele por tudo que ele te dá é pedir demais?
- Não é isso... É que eu tava pensando... – disse o garoto, novamente inseguro.
- No que? – perguntou o padre, orgulhoso pelo sermão.
- Índios!
- O que?
- Índios. Tava pensando... Aqueles índios que viveram na América antes da colonização... Eles vão todos para o inferno?
- Er... – o padre foi surpreendido novamente – Por quê?
- Eles não veneravam deus... Nem jesus.
- Ah... É... Sim, eles foram para o inferno.
- Mas por quê?
- Como assim por quê? Você acabou de dizer o motivo!
- Mas deus não ama a todos os seus filhos? Como pode ele manda-los para o sofrimento da danação eterna em lagos de fogo e enxofre? Você acha que as pessoas merecem isso só por não acreditarem nele?
- Deus deu tudo a seus filhos. TUDO. E o quer ele pede em troca? Um pouquinho de gratidão deles por tudo o que ele tem feito por nós.
- E se não formos gratos somos condenados a sofrer por toda a eternidade?
- Sim.
...
- Não sei o que você acha de deus, padre, mas eu não acho que ele nos ame.
- Por quê?
- Como eu disse... Índios. Eles não tiveram a chance de se converterem antes de morrer. Não é justo! Como eles poderiam adorar ao deus certo se este não havia sido apresentado a eles! Todos estão no inferno por isso agora?
- Olha, filho... Eu não sei. Talvez os índios mais bonzinhos tenham ido pro céu.
- Mesmo adorando os deuses errados?
- Quem sabe?
- Mas se for assim... Eu poderia ir pro céu sem adorar deus, só sendo “bonzinho”, assim como os índios foram!
- Mas você conhece deus! Foi te dado esse conhecimento, você tem a chance de adorá-lo!
- Então as pessoas boas que não conhecem deus vão para o céu automaticamente, mas as que conhecem ele devem adora-lo ou vão para o inferno?
- Sim!
- Você não acha que desse modo mais pessoas vão ao inferno do que se ninguém conhecesse deus?
- Ah... É...
- E se for assim, você não acha que quanto menos pessoas souberem da existência dele, melhor? Para que ter missas então? Vocês não estão colaborando para mais pessoas irem pro inferno?
- NÃO! Você... COMO OUSA?
- Mas afinal... – o garoto parecia não prestar atenção no efeito que suas perguntas causavam no padre – Por que deus quer tanto ser adorado?
- Como assim?
- Ele precisa da gente?
- Não. Nós precisamos dele. Se não existíssemos, não faria diferença alguma a ele.
- Se parássemos de rezar ele sofreria alguma coisa?
- Não. Ele é perfeito, é onipotente.
- Se todas as pessoas do mundo parassem de acreditar, ou acreditassem em outro deus, ele desapareceria?
- Não, ele seria o único deus existente, todos estariam adorando a um deus falso.
- Mas então... Se acreditar ou não acreditar não faz nenhuma diferença a nós para ir para o céu, para que deveríamos acreditar? E se acreditarmos e adorarmos ou não também não faz diferença alguma a ele, por que ele nos pune por toda eternidade se não o fizermos?
A essa pergunta o padre não soube responder. Mandou o garoto ir para casa rezar 20 pai nossos e 30 ave-marias e disse que assim ele iria obter a resposta.
O garoto ajoelhou-se e rezou o que o padre pediu. E depois de todo esse tempo ele chegou a única conclusão que respondia a todas as suas perguntas:
DEUS NÃO EXISTE!
Boa Noite.